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28 de maio de 2012

HOMENS DE PRETO 3: O CINEMA NAS MÃOS DOS EFEITOS ESPECIAIS.



Foi um orçamento Bombástico: 215 milhões de dólares. Não vai ser difícil de recuperar, pois segundo fontes no fim de semana de estréia o filme já teria ultrapassado os 200 milhões de bilheteria, computados em todos os países em que foi lançado.
A receita continua a mesma, só falta tornar o prato mais apetitoso. A história gira em torno de Boris, o animal, um alienígena confinado na lua, seu relacionamento com K (Tommy Lee Jones) e sua posterior fuga para vingar-se e destruir nosso mundo.


Will Smith carrega o filme nas costas, já que para impedir os planos maléficos de Boris, ele precisa voltar ao ano de 1969 e encontrar o jovem??? K, vivido por Josh Brolin, um bom ator mas que jamais poderia viver K aos 29 anos de idade. Creio que essa possa ser a melhor piada do filme.


Corre corre, aliens estranhíssimos, Emma Thompson deslocada como a atual chefe da agência e um final melodramático fazem parte do roteiro de um dos irmãos Cohen, Ethan que foi substituído às pressas por David Koepp e da direção de Barry Sonnenfeld.
O filme tem soluções interessantes como a aparição de Andy Warhol, um dos homens de preto disfarçado de artista genial e que pede desesperadamente que sumam logo com ele, pois já não sabe mais o que fazer com o disfarce e já estava empilhando latinhas de sopa.



Ficam como dado positivo o show de efeitos especiais e a atuação de Josh Brolin. Mesmo mais velho do que o personagem seria à época, ele acaba incorporando um K jovem com os maneirismos de Tommy Lee jones, que aliás deu uma boa descansada durante os meses de filmagem, já que boa parte do filme Josh está em seu lugar.

5 de março de 2012

MOTOQUEIRO FANTASMA 2: UMA CONTINUAÇÃO DESNECESSÁRIA E CONSTRANGEDORA.

Com o sub-título "Espírito de vingança" esta pérola precisou de dois diretores:  Brian Taylor e Mark Neveldine. Para o filme ter chegado às telas bastava apenas um deles para dar conta da "bomba" em questão. Nicolas Cage, futuro integrante do BBB ou da "Casa dos Artistas", precisa urgentemente reaprender a ler os roteiros enviados à sua residência. Se continuar deste jeito, vai rápido para o "Retiro dos Artistas" ao lado de Christopher Lambert, já aclamado pelo primeiro "Highlander" faz uma ponta como um sacerdote careca e cheio de tatuagens, inexplicável. Essas contas de água, gás e aluguel estão muito atrasadas.....

O fiapo de história é a seguinte: Johnny Blaze tentando controlar a sua maldição foge e se esconde nos confins do Leste Europeu. De lá recebe um chamado de um personagem misterioso (Idris Elba), para ajudá-lo a salvar a vida de um garoto que é o objeto de desejo do demônio... Hum.. tá bom, não tem mais nada. A partir daí é só um roteiro chulo, cenas constrangedoras e tempo perdido.


As sequencias foram filmadas na Romênia provavelmente para baratear a produção, mas não precisava. Tudo é de quinta categoria, principalmente os coadjuvantes. Uma pena ver atores como Idris Elba, ainda com as melhores cenas do filme, Ciarán Hinds fazendo caretas o tempo inteiro e Nicolas Cage, após o "Oscar" por "Despedida em Las vegas"  descendo cada vez mais em projetos sem a menor possibilidade de dar certo. Bem fez Eva Mendes que saiu fora rápido para não entrar em outra furada....

2 de março de 2012

O ARTISTA: O FILME ELEITO PELA CRÍTICA COMO O MELHOR DO ANO, HOMENAGEIA O CINEMA MUDO.

Parece até brincadeira ouvir os comentários sobre algumas pessoas se levantando e indo embora do cinema, quando "O Artista" foi lançado. Mas não é. Este filme mudo e em preto e branco, co-produção francesa e americana, causou uma certa estranheza. O Inesperado foi o filme ter caído nas graças da crítica e se tornado a grande sensação do ano. Foi muito discutida  a iniciativa do diretor Michel Hazanavicius, sua ousadia e criatividade. O festival de Cannes foi o primeiro a lhe conferir um prêmio, o de "Melhor Ator", O "Globo de Ouro" veio em seguida com 6 indicações. O Bafta (prêmio equivalente ao "Oscar" na Inglaterra) lhe conferiu 12 indicações e finalmente  O "Oscar" deu 10 indicações, das quais 5 foram vencedoras, incluindo filme, direção e ator para Dujardin.

A história do grande galã do cinema mudo em 1927, George Valentin vivido por Jean Dujardin e sua trajetória ladeira abaixo quando o cinema começa sua grande transformação: sai de cena o Cinema Mudo e chega o cinema falado. Ele então é engolido por não se enquadrar, não aceitar o que já era fato. Ao se considerar imprescindível para o seu grande público, George com seu ego e sua certeza inabalável, vai perdendo tudo, em contraponto a Peppy Miller, uma Bérénice Bejo adorável, indo aos trancos e barrancos, começando como corista até se tornar uma estrela e trilhar o caminho inverso ao do grande astro.


As premiações do "Oscar" foram um feito inédito até então para uma Academia tão conservadora. O filme passeia pela queda da bolsa de Nova York em 1929, faz diversas homenagens a filmes como "Cantando na chuva" entre outros. O que está preocupando agora os poderosos dos estúdios hollywoodianos é como agir de agora em diante? Se a  metáfora do filme fala de um ator avesso às novas técnicas cinematográficas, como diante de tanta tecnologia atual à disposição, ver tamanha simplicidade e beleza ganhando as telas do planeta? A resposta talvez venha desta mesma indústria que avança cada vez mais, derrubando quem se coloca em seu caminho. É pagar pra ver!

27 de fevereiro de 2012

OSCAR 2012: OS VENCEDORES!

Finalmente chegou o dia em que Hollywood homenageia suas grandes produções e seus atores preferidos. É sempre polêmico, todos sabemos que uma indústria poderosa está por trás de cada detalhe, indicado, filme ou premiação. A primeira surra veio em nossa direção com a animação "Rio". Praticamente ignorada e com apenas uma indicação para canção, infinitamente superior à vencedora "Man or Muppet" do filme "Os Muppets". Protecionismo é pouco.










 "As aventuras de Hugo Cabret" e "O Artista" saíram empatados com 5 "Oscars" cada, sendo que "O Artista" levou os mais importantes como filme, ator e direção. Octavia Spencer por "Histórias cruzadas" confirmou o favoritismo e levou o prêmio de atriz coadjuvante. Muito emocionada, chorou muito, em contraponto a Christopher Plummer aos 82 anos, premiado como ator coadjuvante por "Toda forma de amor". Este ironizou  a diferença de 2 anos entre a idade da estatueta e a dele e agradeceu a academia, confirmando o que todos já sabiam, Quando fez "A Noviça Rebelde" era um grande canastrão e depois de tantas décadas finalmente tinha chegado a sua hora!

Octavia Spencer muito emocionada.









Christopher Plummer brincando com a estatueta:
"Você é apenas dois anos mais velha do que eu, aonde você estava este tempo todo?"




 Woody Allen maravilhoso, esnobou a academia como sempre e levou o "Melhor roteiro original" pelo belíssimo "Meia-noite em Paris". Angelina Jolie linda com um vestido preto cuja fenda arrancou alguns suspiros da platéia recebeu a estatueta em seu lugar. Meryl Streep e Jean Dujardin confirmaram o favoritismo e levaram o "Oscar" de melhor ator e atriz, em uma disputa acirrada onde George Clooney e Viola Davis, uma atriz maravilhosa, que torna "Histórias Cruzadas" ainda mais emocionante, estavam no páreo.



Meryl Streep e Jean Dujardin, os vencedores na categoria ator e atriz.






Billy Crystal está bem fora de forma e as piadas não sustentaram o show mais rápido já visto. Uma apresentação do "Cirque du Soleil" foi uma das melhores performances da noite, um show de acrobacias fundindo-se à história do cinema. Nick Nolte, um dos indicados como ator coadjuvante por "Warrior", surpreendeu pela coragem em cruzar ficção e realidade, já que ele luta contra a dependência química, assim como seu atormentado personagem no filme.


Os detalhes ficam para o final: Rubens Ewald Filho está a cada dia pior com seus comentários pessoais e sem propósito. "Estão já preparando o terreno para a vitória de Viola Davis" e Meryl Streep ganhou por sua Explêndida composição de Margaret Thatcher em "A Dama de ferro". Rooney Mara, a atriz de "Os homens que não amavam as mulheres foi chamada de "Equívoco e fraca" não poderia jamais estar entre as indicadas! Ufa! "A única coisa dentro de "Histórias Cruzadas" que vale a pena são suas atrizes maravilhosas, pois o filme é bem Fraquinho".Será que ele viu realmente o filme? Quanto aos prêmios do Franco-belga "O Artista" ele citou a grande simpatia dos americanos com os franceses desde uma certa revolução... Pediu pra parar parou!!!! não aguentei!!

Foi uma festa com o brilho de astros e estrelas maravilhosas. Os figurinos sempre discutidos, não chegaram a uma conclusão plausível. Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie, Rooney Mara em um Givenchy branco digno de nota destacaram-se. Meryl Streep estava maravilhosa como sempre com suas 17 indicações e para finalizar eu lhes pergunto: O que é Meryl Streep????
Rooney Mara, Angelina e Gwyneth.

25 de fevereiro de 2012

OS DESCENDENTES: UM FILME SIMPLES INCENSADO PELA CRÍTICA.

Alexander Payne é um diretor da safra "independente" do cinema americano. Foi consolidando passo a passo sua carreira com uma assinatura bem autoral. Embora "Sideways"(Entre umas e outras), tenha sido o mais incensado, "Eleição" um duelo entre Reese Whiterspoon e Matthew Broderick pelo controle de uma escola é o mais irônico, inteligente e subestimado de seus filmes.

Quando "Os Descendentes" entrou em circuito, Payne já estava desde 2004 sem um filme no circuito. Isso logo gerou uma movimentação positiva por ser um filme de um diretor simpático, pela sua visão simples de temas muitas vezes complicados. A crítica americana rapidamente começou a sua campanha positiva, já que precisa sempre de um filme fora dos padrões vigentes para indicar como o melhor filme do ano. Já tivemos como exemplos "juno" e "Pequena Miss Sunshine" entre outros. "Os Descendentes" é um bom filme com a marca de um diretor sério, mas nunca a melhor atuação de George Clooney. Ele cumpre com dignidade e algumas vezes de forma patética o papel do pai de família, cuja mesma vive em segundo plano, havendo uma reviravolta quando a esposa fica em coma após um acidente que deixará marcas em todos.




Obviamente a relação com os filhos precisa ser reinventada, ele passa a perseguir o amante da mulher, após o choque de tomar conhecimento da traição pela própria filha.  Este amante é vivido pelo péssimo Matthew Lillard de comédias dos anos 90 e que continua péssimo. O restante do elenco se enquadra perfeitamente  nesta história de um pai que não conhece sua própria família. Robert Forster como sempre muito bom é o sogro e Shailene Woodley dá conta com sinceridade da filha com sinais de rebeldia, mas na verdade segura e com determinação de quem sempre teve uma vida sem a presença paterna.


A parte que fala dos "descendentes" é que poderia ter sido mais aproveitada, já que o personagem de Clooney é o principal responsável pela venda de uma grande parte de terras no Havaí, herança que traria um grande conforto para a numerosa família e que mexe com seus dilemas morais de destruição da natureza. Tudo é muito previsível, de forma calculada a causar emoção, fingindo uma não apelação. Bobagem, acaba ficando muito chato, várias sub-tramas sem que nenhuma se resolva a contento. Resumindo não é tudo isso, há uma grande carga por ser um diretor de inegável talento, porém desta vez Payne trilhou o caminho mais fácil, tentando uma comunicabilidade e uma cumplicidade que logo percebemos está precisando de um pouquinho mais de veracidade.


Vamos esperar pelo próximo filme deste diretor tão hábil em nos surpreender com a sua visão peculiar, quando a  partir de temas simples somos quase forçados a repensar o pior e o  melhor nas atitudes, relações e na simplicidade escondida através da riqueza de ambiguidades dentro do ser humano. Por enquanto com "Os Descendentes" ainda não foi possível, pela quantidade de clichês. Infelizmente eles poderiam ser evitados, tornando o filme menos contemplativo e mais atuante.

18 de fevereiro de 2012

HISTÓRIAS CRUZADAS, A GRANDE RESPOSTA DE UM ELENCO MAGNÍFICO!

Os EUA já gostam de um acerto de contas com o passado, isto é fato. Ainda mais quando este passado significa uma ferida que ficou aberta décadas e que trás nas medidas proporções uma reflexão, mesmo que mais suave do que obviamente teria sido. Em "Histórias Cruzadas" do diretor Tate Taylor voltamos à década de 60 no Mississipi para contar a trajetória das empregadas negras, criando durante toda a vida os filhos dos "brancos", deixando de cuidar dos seus próprios para poder sobreviver. Em um ambiente claramente preconceituoso, elas vivem como semi escravas, cada uma com sua dor e precisando seguir o caminho sem olhar para trás.



Uma recém formada jornalista Skeeter Phelan, vivida por Emma Stone retorna à cidade e ao observar o quadro de abuso, resolve tomar os depoimentos destas mulheres tão sofridas, tomando como exemplo ela mesma, criada por uma negra que sem explicações desaparece quando ela retorna da faculdade. A única explicação dada pela mãe é que ela havia sido despedida, pois era a atitude certa a ser tomada e sem mais comentários, mesmo depois de mais de quarenta anos servindo fielmente à família. Na outra ponta do vértice temos a cruel Hilly Holbroock, vivida por Bryce Dallas Howard com sua vida frívola, sua inveja e seu projeto de um banheiro separado para as negras, para que as mulheres da cidade não sejam "contaminadas" por certas doenças, que só esta população supostamente teria.



Quando tudo parece perdido surge Aibeleen Clark, uma Viola Davis sofrida e amargurada, lutando para superar a morte de um filho em uma atuação merecedora da Indicação ao "Oscar" de melhor atriz e que foi vitoriosa no "Sag Awards", o sindicato dos profissionais da área de atuação. Com muito medo ela se une à corajosa e irreverente Minny Jackson, uma Octavia Spencer que rouba o filme cada vez que aparece, para começar a contar suas verdadeiras histórias, ao mesmo tempo em que tentam convencer as outras domésticas a fazerem o mesmo.



O romance "The Help" de Kathryn Stocklett, foi o livro mais vendido nos estados unidos em 2011 e chamou a atenção do diretor, por ele mesmo ter vivido situação semelhante. É um filme de mulheres com atrizes poderosas como Jessica Chastain, Alisson Janney, Cicely Tyson, Sissy Spacek, Mary Steenburgen, além das já citadas Emma, Viola e Octavia. O filme é emocionate e dá voz a mulheres que nunca tiveram sequer a chance de ergue-la e lutar pelos seus direitos. Faz isso com extrema sobriedade em planos abertos de uma cidade ensolarada, com uma felicidade plástica e a vida fútil de donas de casa preocupadas somente em controlar umas as outras, ou em arrumar um casamento que lhes deixe em situação confortável.



Do outro lado, nos casebres entra em foco o sofrimento mudo dos serviçais, sempre com seu sorriso amarelo, suas humilhações e sua esperança no futuro, representado à época por Martin Luther King, um ativista pelos direitos dos negros. Martin era a única esperança de uma época vergonhosa e que agora tem o seu ajuste de contas em um filme capaz de surpreender no "Oscar". Pode não parecer muita coisa, mas o filme foi o ganhador do "Sag Awards" de melhor elenco do ano. Uma premiação com um peso muito grande a ponto de influenciar os tão famosos envelopes fechados e que serão abertos de 26 de fevereiro. A grande questão é: será que os acadêmicos já estão tão liberais a ponto de reparar com um prêmio uma grande injustiça, que continua de forma velada?

16 de fevereiro de 2012

OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES: PODEROSO E INSTIGANTE!

Karl Stig-Erland Larsson ou Stieg Larsson escritor e jornalista sueco, nos deixou em 2004 vítima de infarto. Apesar da perda irreparável deixou um legado: a trilogia "Millenium" cujo primeiro filme "Os Homens que não amavam as mulheres" acaba de ter a sua versão americana dirigida por David  Fincher. A versão sueca anterior à americana e dirigida por Niels Arden Oplev é um belo trabalho, valorizando o lado cru e sombrio, enquanto Fincher desde a abertura dá o seu andamento a um filme adrenalítico, usando a própria Estocolmo como locação original.


A história corre em paralelo com a trajetória de Mikael Blomkvist, jornalista econômico sofrendo um processo de difamação e vivido por um Daniel Craig na medida certa e que acaba sendo contratado por um milionário sueco, Henrik Vanger, o competente Christopher Plummer para descobrir o misterioso desaparecimento de sua sobrinha, Harriet quatro décadas atrás e que tem como principais suspeitos todo o clã numeroso e principalmente interessado em herdar a imensa fortuna, destinada a Harriet.


Do outro lado da moeda chega o furacão Lisbeth Salander,vivida por Rooney Mara indicada ao "Oscar" de melhor atriz e com uma composição e atuação acima dos padrões normais. Lisbeth apesar de competente, para dizer o mínimo e disfarçar sua genialidade é incapaz de gerir sua própria vida. Vive à mercê de tutores devido a um acontecimento trágico do passado, que a coloca como um perigo à sociedade e a ela mesma, pela sua conduta ao mesmo tempo violenta e auto-destrutiva.



O caminho destes dois personagens acabam se cruzando com suas diferentes formas de investigação. Juntos trilham caminhos diferentes, pois enquanto Mikael exercita a sua porção jornalística e se instala na ilha da família, Lisbeth corre por fora com seu talento como hacker, sua experiência nas ruas, sua inabilidade em viver socialmente e sua perícia investigativa brilhante. Para isso contribuem uma montagem excelente e uma fotografia de Jeff Cronenweth, nada menos do que impactante. O roteiro de Steve Zaillian dispensa comentários, enxuto, consegue navegar por vários cursos sem perder o rumo um segundo que seja.



O elenco aposta no talento de Craig e sua aparente fragilidade, Christopher Plummer e Stellan Skarsgard com seus mistérios imprimem mais curiosidade ao mistério, mas é Rooney Mara a razão de ser do filme. Sua Lisbeth é única e não se apoia em nenhuma caricatura. Original do início ao fim vai mostrando as camadas de uma personagem atormentada por um passado sombrio e descrente do ser humano, que aos poucos começa a sentir em Mikael um homem confiável, íntegro. As investigações vão enveredando por um terreno cada vez mais perigoso, mostrando uma série de assassinatos de mulheres correndo em paralelo e que podem ter ou não a ver com o mistério da família Vanger.



O filme desmistifica a cartilha habitual: refilmagem é apenas um caça níquel. O talento de todos os envolvidos nos presenteia com um filme instigante e que desde a abertura belíssima, com um cover de "Immigrant Song" do Led Zeppelin, na voz de karen O, impressiona pela qualidade e pela soma de todos os talentos envolvidos. Altamente recomendável!!

13 de fevereiro de 2012

2 COELHOS: AÇÃO E UMA PROPOSTA DIFERENTE COM MUITA ELEGÂNCIA VISUAL.

Ao assistir ao trailer do filme "2 Coelhos", achei tudo meio misturado: temática policial, montagem acelerada, uso de animação. Qual não foi a minha surpresa ao assistir a um ótimo filme, muito bem dirigido por Afonso Poyart com uso de recursos gráficos na medida e um elenco completamente envolvido com a proposta do filme?


Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini e Caco Ciocler formam um triângulo diferente, onde o remorço confronta o senso de justiça e o amor corre sérios riscos a cada segundo. Um acidente nos primeiros minutos do filme é a chave para uma discussão sobre corrupção de políticos, ilegalidade, revolta e redenção. Os atores estão em ótima forma, distante do superficialismo de vários filmes nacionais, graças a um roteiro bom e uma montagem perfeita.



Não há novidades na eterna luta entre o bem e o mal e no maniqueísmo atual que invade as telas de cinema e a Tv, onde os bons são muito bons e os maus vilões terríveis. Neste filme todos possuem algo a esconder, todos estão comprometidos dentro de um quebra cabeça. A cada cena, o diretor vai desvendando o mistério e os dois coelhos a serem mortos é mais um detalhe a ser desvendado por quem vai ao cinema.



Marat Descartes, Thaíde e Thogun estão muito bem nos seus respectivos papéis coadjuvantes. São os bandidos? Nada é certo dentro de um esquema onde todos são de alguma forma vítimas e culpados. A estréia na direção de longa-metragens faz com que Afonso Poyart seja apontado como um apaixonado por games, videoclip e isso certamente terá que mudar no seu próximo filme, para não ficar cansativo.




O filme é uma agradável surpresa e não demerece em nada o nosso cinema, vale a pena assistir como evoluímos tecnicamente e somos capazes de mostrar aos jovens que buscam filmes de ação nos filmes americanos, o sange novo pop do cinema brasileiro.

9 de fevereiro de 2012

O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS. IMPERDÍVEL PARA OS APRECIADORES DE UM FILME, ONDE MENOS É MAIS!

Com uma trama ambientada no início da década de 70 em plena guerra fria, o filme de Tomas Alfredson (diretor da versão sueca de "Deixa ela entrar") mostra os bastidores do MI6, setor da inteligência britânica, sem o glamour, as perseguições, as mulheres lindíssimas, cartilhas sempre usadas por um outro agente famoso,  007. Temos aqui um protagonista George Smiley, voltando à ativa para descobrir após uma missão fracassada, o responsável por derrubar o chefe do setor. Existe a desconfiança de um espião cuidadosamente infiltrado na agência. A trama é densa, filmada em um tom mais lento e de uma preciosidade rara.


Baseado no livro de John Le Carré, o roteirista Peter Straughan entregou a um elenco maravilhoso, onde Gary Oldman, John Hurt, Colin Firth, Mark Strong, Toby Jones, Tom Hardy, Ciáran Hinds brilham com seus diálogos maravilhosos, seus olhares significativos e nas várias cenas de flashback, elegantes e cruciais para o desenrolar de uma trama onde todos são suspeitos. Oldman foi indicado ao "Oscar" 2012, por uma atuação simplesmente perfeita, construída no olhar e gestos cuidadosos, dando veracidade ao homem abandonado pela mulher, obrigado a abandonar a aposentadoria para enfrentar uma cúpula de agentes e descobrir qual deles está entregando de bandeja planos aos soviéticos.




O "Bafta", considerado o "Oscar" britânico deu ao filme 11 indicações, incluindo filme, ator, diretor e roteiro adaptado. Uma resposta a Academia Hollywoodiana que esnobou solenemente o filme, incluindo Oldman como melhor ator e mais duas indicações para a excelente trilha sonora e o roteiro adaptado. É público e notório que os acadêmicos são mais chegados a atuações de deficientes ("Rain Man", "Meu Pé Esquerdo", "Forrest Gump") e viscerais, se possível com alta voltagem dramática ("Sangue Negro", "Philadelphia"), portanto, Gary Oldman é um azarão no páreo. Não importa, o filme não é comercial ou facilmente digerível, mas quem puder aproveitar a experiência estará diante de um grande filme, onde os gestos e olhares são cúmplices de uma atmosfera carregada de tensão e de muito talento.

7 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE TINTIM.

Steven Spielberg é sinônimo de grandiosidade e quase sempre sucesso, apesar de algumas escolhas erradas. Com Peter Jackson na parceria em "As Aventuras de Tintim" imaginava-se a perfeição total. A vantagem da união de uma dupla tão qualificada chega na captura de imagens que beira o real, para homenagear os quadrinhos de Hergé, de quem Spielberg é fã ardoroso.

São vários personagens vilanescos e o nosso herói, acompanhado sempre pelo simpático cãozinho Milu. A trama gira em torno de uma réplica de um navio que Tintim compra e a partir daí começa o corre corre incessante, marca registrada do diretor, ao redor do mundo para solucionar o mistério. O vilão inspirado em Daniel Craig é barra pesada, enquanto o capitão com os contornos de Andy serkis é bastante interessante. A dupla de detetives Dupond e Dupond são patéticos demais e tudo parece correr a 200 km por hora.


Seria mais viável mais uma aventura de Indiana Jones, já que as crianças ficam meio sem noção pela complexidade e rapidez da trama. O filme foi o ganhador do "Globo de Ouro" de melhor animação, não foi indicado ao "oscar" e perdeu recentemente para "Rango" em uma premiação só para animações. Pelo que vi na saída as crianças estavam meio boquiabertas e algumas dormiam bastante, pois até uma movimentação excessiva como a do filme , cansa.

1 de fevereiro de 2012

CAVALO DE GUERRA: EMBALAGEM SUPERIOR AO PRESENTE.

Steven Spielberg não perde a velha e boa forma. Excelente diretor costuma provocar lágrimas nos filmes em que pretende emocionar ( "E.T", "A Cor púrpura", "A Lista de Schindler") e tantos outros. Em "Cavalo de Guerra a intenção não muda, mas a embalagem é mais bonita do que o presente em si. Tudo gira em torno da amizade entre um garoto e um cavalo indomesticável em plena Primeira Guerra Mundial.


Ao se separarem por questão de sobrevivência, começa a odisseia de um animal implacável, amigo, cuja tenacidade emociona os diferentes lugares por onde é levado: a cavalaria britânica, os soldados alemães e um fazendeiro e sua doce neta. Uma cena indiscutivelmente brilhante é quando o animal preso em uma cerca de arame farpado provoca uma trégua entre alemães e ingleses, em cena determinante para mostrar a falta de sentido de uma guerra para quem está na linha de frente da batalha.


Foram 100 milhões de orçamento e 145 minutos de uma saga que deveria ser menor. Existem atores brilhantes como Emily Watson e Peter Mullan como os pais do garoto, dono do cavalo vivido por um Jeremy Irvine sem muito carisma. O roteiro de Lee hall e Robert Curtis faz o impossível para tornar o livro de Michael Morpugo, "War Horse" crível, mas o filme derrapa em uma vontade tão grande de impor seus ideais de liberdade, tenacidade, lealdade, que acaba por esquecer completamente a cartilha mais importante: emocionar pela simplicidade, não pela manipulação, como o excelente "Corcel Negro". Infelizmente a comparação é inevitável.


A belíssima fotografia de Janusz Kaminski é um caso à parte e a trilha de John Williams é bela, porém insiste naquele mel exagerado nas cenas mais tocantes. Não é um filme ruim, apenas Spielberg precisa desesperadamente de um grande sucesso e aí a coisa fica mais complicada, pois ele passa a apelar para os chavões que todos nós já conhecemos. Ele possuía um ótimo material em mãos para denunciar o massacre de milhares de cavalos, vítimas de uma guerra sem sentido, porém preferiu o caminho mais fácil e todo o filme parece acontecer em episódios. Acabou concorrendo ao "Oscar" de melhor filme, um exagero causado pelos amigos do diretor, mas vale a pena pelo cavalo, belíssimo e sempre muito bem. Este sim, merecia uma indicação ao prêmio.

30 de janeiro de 2012

COMPRAMOS UM ZOOLÓGICO: ACRIDOCE NA MEDIDA CERTA.

Cameron Crowe não costuma pesar a mão na direção. "Quase Famosos" mostrou a sensibilidade e uma excelente pesquisa histórica, "Jerry Maguire" deu o "Oscar" de ator coadjuvante a Cuba Gooding Jr. e nos mostrou um Tom Cruise frágil, lutando para dar a volta por cima no mundo esportivo. Em "Compramos um Zoológico" a obra de Benjamin Mee passa para a telona com muito carisma, emoção na dose certa e o romantismo sem o xarope das atuais produções americanas.


Baseado em uma história real, Benjamin é Matt Damon, viúvo disposto a dar mais qualidade de vida para os dois filhos, buscando uma bela casa no interior da Califórnia. Missão cumprida, logo ele descobre o brinde atrelado à sua compra: um zoológico em franca decadência. Sem experiência alguma, ele conta com o apoio dos funcionários para transformar o local, cuidar dos animais, impedir a rebeldia do filho mais velho e fingir que não se sente atraído por Kelly Foster, a sempre bela Scarlett Johansson.


O Zoo precisa ser reaberto, o dinheiro não é suficiente, vários problemas assombram o nosso protagonista. Aos poucos a natureza, os animais e a tenacidade de Mee vão conspirando a favor, enquanto o roteiro inspirado de Aline Brosh McKenna (O Diabo veste Prada), vai driblando as soluções fáceis e tecendo um painel de solidariedade, respeito, amizade e amor. Todas as obras do Zoo precisam estar prontas no tempo previsto para obter novamente o aval do inspetor responsável, extremamente rigoroso e pouco interessado em uma cruzada fadada ao fracasso.


É um filme otimista sem ser caricato e vale a pena pelo talento de Matt Damon e pela doçura de Elle Fanning, segura como a menina do interior, à procura de um grande amor e com talento suficiente para vôos maiores.

24 de janeiro de 2012

SHERLOCK HOLMES E O JOGO DE SOMBRAS:MAIS AÇÃO APROVEITANDO A RECEITA ORIGINAL.

Robert Downet Jr. e Jude Law ou Sherlock Holmes e seu amigo e fiel escudeiro Watson, voltam nesta segunda aventura para desvendar a morte do príncipe herdeiro da Áustria. As provas indicam suicídio, mas por trás de toda esta trama diabólica encontra-se uma das mentes criminosas mais inteligentes do mundo, o Professor Moriarty (Jared Harris), intelectualmente no mesmo nível de Holmes e totalmente amoral, possui a capacidade para estabelecer a base de um conflito que resultará em outra guerra mundial.


"Sherlock Holmes e o Jogo de Sombras" teve uma estréia americana abaixo do esperado. A competitividade está muito maior, mais acirrada. Guy Ritchie, o diretor parece mais seguro, imprimindo mais técnica e ação, tentando valorizar o melhor do filme, que é a princípio, o talento de Robert e Jude, deixando os dois mais a vontade, com suas manias, discussões e com aquela quase invisível carga homoerótica capaz de infernizar o pobre Watson, seguindo Holmes e abandonando a esposa em plena lua de mel.


Mais um detalhe é a pequena participação de Rachel MacAdams, substituída pela misteriosa cartomante cigana Simza de Noomi Rapace, estrela da versão sueca de "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres". A personagem, (infelizmente sub-aproveitada) corre sério risco de vida por saber mais do que aparenta sobre a morte do príncipe, sendo protegida pela dupla de detetives. O filme possui uma montagem e um ritmo nas cenas de ação, superiores ao primeiro, sem contar as engraçadas cenas de "Slow Motion",( resultado dos pensamentos de nosso herói segundos antes de agir),  sempre com aquele toque de humor refinadamente britânico.


Orçado em 125 milhões de dólares, a produção espera recuperar logo o que foi investido, como a terceira parte da saga encontra-se em pré-produção, significa a certeza de um bom retorno financeiro. O que esperamos é poder contar com atores do quilate de Stephen Fry, ótimo no papel do irmão de holmes, Mycroft usando o cinismo, a arrogância e a fleuma dos ingleses de forma perfeita. No mais é esperar cenas de ação muito bem filmadas, a sintonia da dupla protagonista e se possível, um roteiro um pouquinho mais elaborado, aí sim fecharíamos com chave de ouro!


22 de janeiro de 2012

IMORTAIS!

É complicado um filme de ação, com a mitologia como tema e procurando levar à tela um belo visual, acertar em todos os pontos. "Imortais" peca no samba do "Olimpo doido", mas se recupera no belíssimo visual em que o diretor Tarsom Singh( Cujo "A Cela" com Jennifer Lopez é de um cuidado estético louvável) busca apoio. Apesar do elenco irregular, o protagonista Henry Cavill segura bem o dilema de um Semideus em busca de justiça.


Na história, Hyperion (um Mickey Rourke convincente) quer acabar com o reinado dos Deuses, buscando uma arma secreta e traçando em seu caminho um rastro de terror. As cenas de batalha são bem conduzidas, atores como Stephen Dorff e John Hurt dão um certo charme ao filme e a seriedade prevalece, se tornando uma vantagem já que ninguém fica de gracinha no filme, (as tais piadinhas buscando uma cumplicidade com a platéia) e responsáveis muitas vezes por acabar com a credibilidade da fita.


O filme lembra "300" de Zack Snyder. São os mesmos produtores, mas o filme é mais empolgante e com a tecnologia 3D, impressiona mais. Se o roteiro é irregular, a ação compensa.Vá com a intenção única de se divertir, sem grandes expectativas e não haverá decepção.

20 de janeiro de 2012

FERA NENÉM!!!

São 86 minutos de pura fantasia, se é que podemos chamar assim esta nova versão de "A Bela e a Fera". O roteiro é de uma criatividade inacreditável: belo, jovem, rico e cruel, Kyle Kingson (Alex Pettyfer, depois que Zac Efron e Robert Pattinson se mostraram indisponíveis), tem por esporte humilhar a todos e diretamente uma colega de classe, sendo amaldiçoado pela mesma, que é uma bruxa!!!!



Transformado em Sapo,ooops... fera... ele vai atrás da autora da maldição que o transformou em um cara muito feio (a maquiagem é bem pop). Fica sabendo então: só se livrará desta imagem horrenda, se em 1 ano alguém se apaixonar por ele, o que sabemos é quase impossível mesmo com a cara original, pois ele é um mala!!!



Entra em cena então Vanessa Hudgens, insossa até o último fio de cabelo escovado. Os dois começam uma aproximação, vai rolando uma série de acontecimentos previsíveis  e o final todo mundo já sabe...
O que a grande maioria não sabe é que o filme dirigido por Daniel Barnz, foi roteirizado pelo mesmo Daniel Barnz, que talento...ele já pode pensar quem sabe em ser colaborador de alguns autores globais. Tanta criatividade reunida seria um sucesso estrondoso...